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FADA PARTICIPA NO DIA DO CAMPO 2026 E REFORÇA LIGAÇÃO ENTRE FINANCIAMENTO, TECNOLOGIA E PRODUÇÃO
- August 31, 2026
- 7:55 pm
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Primeira edição do encontro reuniu cerca de 500 participantes e aproximou produtores, empresas, instituições financeiras e especialistas em torno da modernização da agricultura nacional
Cuanza Sul, 15 de Agosto de 2026 – O Fundo de Apoio ao Desenvolvimento Agrário (FADA) participou na primeira edição do Dia do Campo 2026, realizada na Fazenda Kambondo, na província do Cuanza Sul, uma iniciativa que colocou produtores, empresas, instituições financeiras, técnicos e investigadores em contacto directo com experiências de produção, tecnologias agrícolas e soluções para os desafios do sector.
Promovido pelo Ministério da Agricultura e Florestas (MINAGRIF), o encontro foi presidido pelo Ministro da Agricultura e Florestas, Isaac Francisco Maria dos Anjos, e reuniu cerca de 500 participantes, incluindo produtores familiares, empresários, responsáveis dos Gabinetes Provinciais da Agricultura das 21 províncias, investigadores, técnicos e representantes de instituições financeiras.
Realizado sob o lema «Acelerando a Reconversão dos Sistemas Agrícolas em Agroalimentares», o Dia do Campo foi concebido como um espaço de demonstração prática, intercâmbio de conhecimentos e criação de relações entre os diferentes intervenientes da cadeia agro-alimentar.
A participação do FADA enquadrou-se precisamente nesta dimensão de aproximação entre o sistema produtivo e as instituições responsáveis pelo financiamento do sector. Referências públicas ao encontro registam a presença de representantes do Fundo, juntamente com outras entidades públicas, instituições financeiras, organismos de desenvolvimento e parceiros do sector agrícola.
Do campo para as decisões de financiamento
Ao contrário de uma exposição convencional, o Dia do Campo permitiu observar, no próprio ambiente de produção, diferentes componentes que determinam a viabilidade e a produtividade de uma exploração agrícola.
Os participantes realizaram uma visita técnica às áreas de produção e experimentação da Fazenda Kambondo, incluindo campos de milho, soja, feijão e café, sistemas de captação e irrigação de água, áreas de selecção de sementes, laboratórios de controlo de qualidade, equipamentos e outras infra-estruturas associadas à actividade produtiva.
Para uma instituição de financiamento agrário, esta aproximação à realidade produtiva assume especial importância.
A qualidade de um financiamento depende não apenas da disponibilidade de recursos, mas também da capacidade de compreender como o projecto funciona no terreno: que tecnologia utiliza, quais são os seus custos, como gere a água e o solo, que produtividade consegue alcançar, onde obtém os factores de produção e de que forma pretende colocar o produto no mercado.
O contacto entre produtores, técnicos, fornecedores de equipamentos e instituições financeiras contribui, deste modo, para uma leitura mais integrada dos investimentos necessários à modernização da agricultura.
Tecnologia e eficiência ao serviço da produção
Entre as experiências apresentadas durante a visita destacou-se a aposta da Fazenda Kambondo na produção nacional de sementes certificadas de milho, feijão e soja, apontada como uma das vias para reduzir a dependência externa e melhorar o acesso dos agricultores a factores de produção de qualidade.
A unidade apresentou igualmente resultados relacionados com a melhoria da sua eficiência operacional. Segundo informação divulgada pelo MINAGRIF, a ligação da fazenda à rede eléctrica nacional permitiu reduzir em cerca de 65% o consumo de combustível e em aproximadamente 70% os custos de manutenção associados à operação.
Estes exemplos ajudam a demonstrar que a competitividade agrícola depende de vários factores que se complementam: financiamento adequado, acesso à energia e à água, sementes de qualidade, mecanização, conhecimento técnico, gestão eficiente e mercado.
O encontro abordou ainda matérias relacionadas com mecanização e correcção dos solos, transição energética, créditos de carbono, biocombustíveis e combustível sustentável de aviação, revelando a crescente ligação entre agricultura, tecnologia, energia e sustentabilidade ambiental.
Crédito como parte da transformação agrícola
Durante o evento, foi igualmente destacada a necessidade de continuar a facilitar o acesso dos produtores ao financiamento agrícola. Na sua intervenção, o Governador Provincial do Cuanza Sul, Eugénio César Laborinho, enquadrou mecanismos como o FADA entre os instrumentos que podem contribuir para apoiar o crescimento da actividade produtiva, num território com elevado potencial agrícola e importantes recursos hídricos.
Esta referência traduz um desafio central para o financiamento ao desenvolvimento: assegurar que o crédito acompanhe a transformação tecnológica do sector.
A mecanização, a irrigação, a melhoria genética e a produção de sementes, a armazenagem, a transformação e outras soluções apresentadas em espaços desta natureza representam investimentos que exigem recursos financeiros e projectos economicamente sustentáveis.
É neste ponto que o papel do FADA se cruza com aquilo que o Dia do Campo procura demonstrar.
Mais do que financiar activos isolados, importa contribuir para que os produtores possam incorporar soluções que aumentem a produtividade, reduzam os custos, melhorem a qualidade da produção e tornem as explorações mais competitivas e sustentáveis.
Aproximar quem produz de quem pode apoiar
Um dos principais resultados da primeira edição do Dia do Campo foi precisamente a criação de um espaço comum para actores que, embora participem na mesma cadeia de valor, nem sempre têm oportunidades suficientes de contacto directo.
Produtores puderam conhecer tecnologias e equipamentos. Empresas tiveram contacto com necessidades concretas do mercado. Técnicos e investigadores partilharam conhecimento. Instituições financeiras puderam observar modelos produtivos e compreender melhor os investimentos exigidos pela actividade agrícola.
Segundo o MINAGRIF, o evento alcançou os objectivos estabelecidos em matéria de participação, troca de experiências e estabelecimento de relações comerciais, tendo sido registadas, inclusivamente, operações relacionadas com máquinas e equipamentos.
Para o FADA, espaços desta natureza constituem igualmente oportunidades para continuar a aprofundar o conhecimento sobre as cadeias produtivas e aproximar os seus instrumentos financeiros da realidade de quem produz.
O financiamento agrário alcança maior impacto quando está associado a conhecimento, tecnologia, acompanhamento e mercado. É dessa combinação que podem resultar projectos mais produtivos, maior capacidade de reembolso e investimentos com condições para permanecer sustentáveis ao longo do tempo.
Dia do Campo 2026 em números
Cerca de 500 participantes
21 províncias representadas
Produtores, empresários, investigadores, técnicos e instituições financeiras reunidos no mesmo espaço
Demonstrações de produção, irrigação, sementes, máquinas e tecnologias agrícolas
A primeira edição do Dia do Campo deixa, assim, uma mensagem relevante para o sector: modernizar a agricultura exige aproximar o conhecimento da produção, a tecnologia do produtor e o financiamento dos projectos capazes de transformar o potencial agrícola em resultados concretos.